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domingo, 16 dezembro 2018
Ritos de Passagem

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De que lado estava Lampião?

por candidaluzliberato@gmail.com em 19/12/09 às 05:33

Lampião, forjado nos acontecimentos que o levaram a fazer justiça com as próprias mãos e entrar pra vida errante de justiceiro; Conselheiro fundando uma comunidade independente dos favores da República, onde todo sertanejo tinha casa pra morar, comida pra comer e água pra beber; Padre Cícero no comando de uma rede de relações políticas cuja ordem colocava o sertão das secas e da fé na realização de ações que beneficiavam diretamente seus beatos; Delmiro Gouveia na montagem das primeiras peças do processo de industrialização nacional visando um Brasil que gerasse suas próprias riquezas; esses personagens não formam um belo caldo de esperanças, revoltas, arbitrariedades, utopias, que estão aqui ainda bem vivas no Brasil de hoje? Ainda vivemos a desigual distribuição de oportunidades entre o Brasil fornecedor de mão-de-obra e o Brasil fornecedor da grana que engrena toda a máquina que rege o atual sistema social. Quantos Lampiões estão disseminados por aí, nascidos de motivos muito semelhantes aos que geraram o Lampião cantado nas histórias de cordel? Contra nós estão, porque é o cidadão comum que está nas ruas traçadas por seu caminho violento, mas tiveram escolha?

Comentários

Regina 17/03/10 03:44
Fala dos Confins é um irmão gêmeo de Ritos de Passagem, foi como senti imediatamente. Começou pela música, maravilhosa! Seria algo da lavra de Elomar? Ou de algum discípulo genial? E tocando logo o quê, flauta! Uma paixão que tem tudo a ver com as vastas planuras do sertão deixando deslizar o vento, as notas, os causos, as histórias contadas na fala que brota do coração. Vou acompanhar com gosto, enquanto Ritos caminha para ganhar corpo varando a terra seca e pródiga de fábulas.
Bárbara 15/03/10 08:42
É maravilhoso ver que a produção cultural brasileira tem se diversificado a ponto de rompermos com padrões norte-americanizados de animação como vemos em Rito de Passagem: uma expressão contemporânea da cultura nordestina, tão bem representada por essa feras que trabalham com tanto afinco para fazer o filme. É uma grande honra poder acompanhar esse processo.
nadia 14/03/10 12:02
Convido vcs para visitarem o blog www.faladosconfins.com.br "Fala dos Confins" é uma instalação sonora que nasce do diálogo com alguns poetas populares, romanceiros, contadores de causos, lendas e pessoas comuns que fazem do ato de falar um ato criativo. O projeto pretende tocar diretamente no repertório oral do povo sertanejo que habita o território da Bacia do Jacuípe, Sertão da Bahia, engloba as cidades de Pé de Serra, Nova Fátima, Riachão do Jacuípe, cidades próximas à Feira de Santana, Portal do Sertão, lugar onde nasci." de Virginia Medeiros
alba liberato 13/03/10 05:37
Há coisas acontecendo no sertão sim, ares novos, novas esperanças. Ao viajante das estradas o panorama físico mostra incontáveis captadores de água de chuva em sistema de fácil manutenção, que certamente fazem uma diferença na vida das mulheres que cozinham, lavam, regam seu pé de arruda, seu coentro ao pé da cozinha com contenção porem mais regularidade, quando escasseia a água. Não se precisa beber da água barrenta lá no fundo da cacimba que seca toda mais adiante. Ainda não é irrigação pra lavoura, mas quem sabe esse é o começo? Ao viajante que pousa numa pequena cidade, num povoado, há gente utilizando conhecimento de qualidade diferente do que existiu até então, gente que levanta outras possibilidades profissionais ampliando um quadro social que antes era restrito a atividades rudimentares. Há gente indo e vindo pras faculdades, cursos de profissionalização, gente trocando idéias sem sair do interior de seus estados, gentes para quem a orla e a capital já não são a única referência de busca do saber intelectual. Sente-se mais confiança entre os vários níveis sociais, entre as faixas etárias que tiveram oportunidades diferentes e são mais capazes de considerarem os ganhos gerados por todos. Estão vivendo com mais movimento, mais inteiros. Será isso mesmo? Serei eu uma ingênua, uma confusa, estou vendo coisas, sei lá...Mas sinto assim.
nadia 19/01/10 11:22
Os processos de mudanças são, sim, muito mais lentos do que gostaríamos/precisaríamos, mas dizer que não há nada de novo no céu do sertão não é verdade. Se analisarmos os índices atuais veremos que muita coisa tem mudado e muitas outras estão em gestação. Daí a importância de filmes como esse e de discussões incansáveis sobre o assunto.
Tito 21/12/09 03:37
Sim, a cada dia nasce um lampião, bandoleiro, mas sem "parabellum" nem facão. Lampião não morreu. As volantes não acabaram. Cabeças de cangaceiros ainda rolam no sertão, que continua sêco, sem água, sem oportunidades, sem novas esperanças. Conselheiro também não morreu, pois seus ideais de uma comunidade socialista remanesce em muitos corações. Não há, pois, nada de novo sob o céu do sertão!

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