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domingo, 16 dezembro 2018
Ritos de Passagem

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Contexto

por candidaluzliberato@gmail.com em 24/11/09 às 12:23

Forças como Padre Cícero na religião e na política, Delmiro Gouveia na incipiente industrialização brasileira que afirmava nosso potencial perante colonizadores poderosos, Lampião se colocando a tarefa de distribuir a justiça manipulada por alguns e Conselheiro fundando uma comunidade independente baseada no ideário cristão, influíram nos rumos da sociedade brasileira como um todo. Influência que em momentos como na Guerra de Canudos chegou a ameaçar a estabilidade político-social do país. Distorções de toda ordem que ainda não corrigimos em plenitude formam um caldo de revoltas, arbitrariedades, esperanças, utopias que saltam do imaginário para a ação muitas vezes desenfreada, desprovida de qualquer senso de limites tanto da parte do poder instituído como da parte dos que queriam transformá-lo para melhor. "Ritos de Passagem" bebe na fonte de acontecimentos que aqui viram ficção com pé na realidade social vivenciada e sofrida ao longo da segunda metade do sec. XIX e primeira do sec. XX.

Comentários

nadia 08/12/09 10:54
E aí, gente? Sumiram.... Desde que coloquei o primeiro comentário aqui, estou sempre pensando nesse universo nordestino e ansiosa para ver se surgem outros posts ou comentários.
Guido 27/11/09 06:07
Seu comentário inicial está ótimo. É interessante percebermos que há uma infinidade de histórias sobre a origem do lugar onde vivemos, esperando para serem contadas.
Nadia 27/11/09 01:56
Olá, eu aqui de novo. Lendo sobre o que foi postado, outras situações ligadas ao contexto do filme vieram à minha memória. Quando Alba fala da oralidade forjando o imaginário do sertão nordestino, lembrei de outra forma de comunicação pungente que é o artesanato. Viajei da Bahia a Pernambuco, por cidades do interior, conhecendo a região através do artesanato. Linguagens diferentes, mas todas pujantes. (gosto dessas duas palavras: pungente e pujante, mas só me ocorrem ao tratar desse assunto).
nadia 26/11/09 11:44
Alba seu comentário me recordou um período que morei na fazenda e recebia, semanalmente, a visita de um morador da região. Chegava montado num jegue, chapéu e jaleco de couro. Lentamente apeava, sentava na cadeira e começava a me dar as noticias de tudo que tinha ocorrido durante a semana. Sempre me referi a Nezinho do jegue como "meu jornal"
Alba Liberato 26/11/09 11:33
A Comunicação no Sertão Sempre foi ágil e generosa. O quanto tem o sertanejo de falar pouco tem seus cantadores de varrerem as notícias e os acontecidos para a poesia, para o repente, para todas as modalidades da comunicação boca a boca. Quando se vai numa feira não se vai só pra vender e comprar, se vai principalmente pra tomar conhecimento, ouvir contar e cantar tudo que o isolamento da roça não permitiu chegar. Assim correu mundo as façanhas de Lampião, assim correu mundo as virtudes do Conselheiro, assim eles tiveram seguidores apaixonados. A oralidade, essa escuta poderosa em que o sentimento e a emoção de quem diz e como diz criam o contexto da notícia, forjaram o imaginário que resistisse aos rigores e festejasse as bençãos que, no sertão, chegam ambos do céu.

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