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quarta-feira, 18 outubro 2017
Ritos de Passagem

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CONTEXTO

por candidaluzliberato@gmail.com em 06/04/11 às 11:05

Fruto generoso do encontro de três culturas matrizes em toda sua pujança de expressão, a indígena, a negra de origem africana e a branca de origem ibérica, o Nordeste brasileiro se torna fiel depositário de símbolos, arquétipos, imagens, vocabulários, costumes, procedimentos, rituais que refletem o denso caldeamento aí iniciado que percorre a história do Brasil até os dias atuais.
A toponímia herdada da cultura indígena nos nomes tapuias de estranha pronúncia e significado, os cantos de trabalho gerados pela mão escrava africana pela necessidade de humanizar as atividades diárias realizadas sob a lei da chibata, os ritos religiosos a pontuar o calendário do povo sertanejo, as formas ricas e variadas de guerrear e de orar, os sonhos messiânicos de resgate da dignidade e da fartura que mobilizaram muitos Beatos e seus seguidores, Conselheiro e Belo Monte, Lampião e seu reinado seguindo tradição jagunça de longa data, são os temas que se entrecruzam nas falas vicentinas do Demo, nas falas arcaicas de Caronte, nas prédicas alvissareiras do Santo, nas ameaças duramente anunciadas e executadas pelo justiceiro-guerreiro Alexandrino, em linguagem e sentimento que só o cordel na sua longa permanência de três séculos de deambulação oral e escrita conseguiu expressar para que o desenho da gravura popular dê suporte gráfico e estético a "Ritos de Passagem".

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